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FIA 2017 – Workshops e encontro de tricot!

Este fim-de-semana começou a FIA Lisboa 2017 e, tal como no ano passado, eu vou lá estar com a Companhia das Agulhas a dar alguns workshops. Na quinta-feira dia 29, das 19h30 às 21h30, vou ensinar a tricotar uma trança – vamos aprender a ler um esquema de torcidos (gráfico), a tricotar torcidos à frente e atrás, e a utilizar as agulhas auxiliares de torcidos.

No domingo dia 2, das 15h30 às 17h, vou ensinar os famosos “granny square” em crochet – vamos aprender a ler o esquema de crochet (gráfico), a crochetar em circular, a mudar de cores e a rematar.

foto de: http://attic24.typepad.com

Estes workshops são gratuitos e a inscrição nestes workshops é feita no próprio dia do workshop, no stand da Editorial Nascimento (PAV1, mesmo lá ao fundo do lado esquerdo!). Ainda no domingo gostava de vos convidar a todas a virem tricotar os vossos xailes Alfama comigo! A partir das 17h30 vou estar no zona dos workshops a dinamizar um encontro de tricot – venham tricotar comigo, tirar duvidas e mostrar os vossos xailes. Este encontro é informal e não é necessária nenhuma inscrição. Em todos os workshops e no encontro contamos com o patrocínio da marca Rosários4 que oferece o material dos workshops e alguns brindes para o encontro. Até lá!

 

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A tricotar n’A Praça

Comecei a semana a tricotar na melhor companhia, n’A Praça! Foi com grande entusiasmo que aceitei o convite da RTP para participar no programa. Afinal, é um programa de referência nas manhãs nacionais, com uma equipa fantástica e gravado nos estúdios do Porto. Para que tudo ficasse ainda melhor, os “vizinhos” da Mez Crafts (antiga Coats & Clark, com fábrica e escritórios ali mesmo em Vila Nova de Gaia) aceitaram patrocinar o workshop e ofereceram lãs e agulhas a todos os presentes. Foi uma experiência muito divertida – ver tudo por trás das câmaras, os cenários, os operadores de câmara cheios de mestria (incluindo uma senhora!), a familiaridade da equipa de caracterização, a boa disposição do Jorge e a simpatia da Sónia, a produção, os cenários e a comida preparada antes que me abriu o apetite p’ró almoço!

Podem ver tudo aqui!

Foi fantástico poder falar sobre o meu trabalho na televisão, para tanta gente e sentir que o que faço é realmente apreciado. Ainda assim, o que sinto é que o verdadeiro reconhecimento, o que me enche todos os dias de energia para continuar são as minhas alunas: as alunas que vêm para 1 aula e ficam 1 ano, as alunas que me recomendam a todas as amigas, as alunas que me trazem as filhas para eu ensinar, as alunas que voltam sempre, as alunas que ficam boas amigas, as alunas que me trazem desafios novos, as alunas que me fazem querer saber sempre mais e aprender mais aquela técnica. Por tudo isto e muito mais, obrigada!

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Recomeçar

re·co·me·çar – Conjugar
verbo transitivo e intransitivo
Tornar a começar. = REINICIAR
Palavras relacionadas: recomeço, retravar, a novo, reiniciar, ab origine, renovar, continuar.

“recomeço”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa

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Natal ComTradição

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Ainda ontem estava na praia e já só faltam 9 fins de semana até ao Natal! Pois, isso, não se assustem, mas para quem gosta de oferecer presentes feitos à mão isto significa que temos mesmo de começar a pensar nisso.

Em conversa com a minha amiga Mariana, foi um instante enquanto decidimos que muito mais giro que fazermos as prendas sozinhas, era fazermos juntas. E, muito mais giro ainda era partilhar isso com mais gente. E é mesmo assim que nascem este workshops, uma maratona que começa este sábado dia 24 e acaba dia 12 de Dezembro, em cada sábado vamos fazer um workshop diferente de projetos simples que podes fazer para oferecer e de decorações de Natal que podes usar na tua casa!

Uma ou duas agulhas?

Para cada workshop o projeto é apresentado em duas técnicas: crochet e tricot. O resultado final é muito semelhante, e só tens de escolher qual a técnica com que te identificas mais ou com a qual tens maior facilidade de trabalhar. E sim, eu vou dar apoio ao tricot e a Mariana é a nossa mestra do crochet, que dominar uma agulha é com ela!

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Todos os workshops têm o custo de 30€ e incluem os materiais. Só precisas de levar as agulhas do tamanho que indicarmos em cada projeto e até o chá é por nossa conta! Com a tua inscrição recebes um vale de 10% de desconto que poderás descontar em qualquer outro workshop desta série. Os workshops vão ter lugar a loja ComTradição, no Bairro de Alvalade em Lisboa, onde é como estar em casa!
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O primeiro workshop é nada mais, nada menos, do que uma Gola! As golas são versáteis e práticas e estão sempre no lugar. São uma boa alternativa aos comuns cachecóis. A nossa sugestão é o padrão Chevron. Estas riscas são um máximo e acrescentam muito valor ao projeto. É o pormenor que torna a gola fora do vulgar e a torna adequada a qualquer pessoa, grande ou pequeno, menino ou menino. Basta escolheres as cores certas para cada um dos teus!

Aceita o nosso desafio e vem preparar o Natal. Feito com muito amor e sem stress, este projeto não pode falhar. Consegues ver esses pescoços bem quentinhos?

Então, tricotas ou crochetas?

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Começos e recomeços

Assim de repente chegou setembro, já se foram as férias e a licença de maternidade. Estou em mês de começos e recomeços…os crescidos recomeçam o trabalho, a pequena recomeça a escola e o piolho vai começar a creche!

Imaginam a loucura que me espera este mês, não? Tenho, não só de me readaptar ás rotinas de trabalho, mas também ajustá-las à nova realidade familiar. Ora estou eu no meio destas lutas, quando a minha amiga Mariana resolve revelar o seu segredo de organização…nem de propósito!

sos_organizar

A Mariana é mãe de 3 meninas deliciosas, tem um trabalho a tempo inteiro e ainda um site e negócio online…não é para qualquer um, não! Pois bem, ORGANIZAR é palavra de ordem lá em casa e agora passou a ser cá também. Mas quem melhor que ela mesma para nos explicar como tudo funciona:

– Bem-vinda Mariana, antes de mais explica-nos como tudo surgiu, como começaste a criar estes formatos.

Tudo isto nasce da minha necessidade, que acredito é semelhante às necessidades de grande parte das mulheres dos dias de hoje. A vida dos dias de hoje é exigente e os horários apertados. É tudo uma correria e as responsabilidades acumulam-se e nunca deixamos de sentir a pressão de atender a tudo, dar-mos o nosso melhor, sermos capazes.

Mas não é assim tão fácil, ter um emprego que exige tudo de nós ou uma família que merece tudo de nós, ou as duas coisas juntas, é todo um manancial de coisas que precisam de ser geridas, pensadas e executadas e o resultado nem sempre é brilhante. E, claro, acaba com o nosso tempo, aquele que tanto precisamos para aliviar a carga dos dias. E é difícil gerir tudo isto de forma eficaz.

A minha história é semelhante à de qualquer outra de vocês: a situação estava controlada até ao dia em que fui mãe. Desde então que a minha vida me faz sentir que vou descarrilar a qualquer momento! É aqui que descobrimos que não podemos ser tão distraídos. Não convém esquecer a hora do medicamento, nem o dia da consulta, nem de comprar leite, e com todas as noites mal dormidas aposto que nem te lembraste daquela reunião tão importante que afinal é hoje e passou-te completamente ao lado!

Depois nasceu outra criança e a seguir mais outra e o meu tempo encolheu e as minhas responsabilidades aumentaram. Há muita coisa para “saber de cor”, para me lembrar, para fazer, para não esquecer, tudo vezes 3 a somar à casa, ao marido (que também precisa de atenção, claro!) e ao trabalho.

E algures no processo apareceram as primeiras listas de compras, a listas dos projectos pendentes, a lista de tarefas de tudo o que tinha para fazer num determinado dia e foi crescendo assim, à medida das minhas necessidades.

Pouco depois da minha 3ª filha nascer aconteceu ter as 3 crianças doentes. Ao final das primeiras 24 horas e sem dormir já não sabia quem tinha tomado o quê e quando. Então colei 3 folhas A4 na porta do frigorífico e escrevi os nomes, as horas, os medicamentos e as doses e resultou! Foi nessa altura que pensei que se me ajudava a mim então também devia ajudar outras mães-mulheres-donas de casa!

– À primeira vista preencher tantos organizadores faz-nos sentir que estamos a somar trabalho, a criar mais uma coisa para fazer e não tanto a poupar tempo. Como funcionam afinal?

Os mapas fazem parte daquilo que deve ser o sistema de organização de cada pessoa e não são por si o sistema. Eu falo um bocadinho sobre isto no S.O.S. Organizar, mas o que quero clarificar é que um sistema de organização deve ser suficientemente flexível para se ajustar a cada pessoa e só assim é que funciona. Se tentarmos adaptar cada pessoa ao sistema ele nunca vai funcionar.
O objetivo de cada mapa é reduzir o tempo ou o desgaste de cada tarefa. Teres uma check-list de coisas que precisas elimina a necessidade de te lembrares das coisas e não corres o risco de te esqueceres, basta veres. Por exemplo, as ementas servem para eliminar aquele momento do dia em que pensas “o que hei-de fazer para o jantar?” e em que chegas à conclusão que afinal não tens frango, nem coentros, e as cenouras também acabaram, e em que acabas por fazer bifes com arroz. Outra vantagem é poder estruturar uma alimentação mais saudável, porque consegues ver no papel os dias em que comes carne, peixe, batatas, arroz e massa. Assim não estás sempre a comer carne com massa ou peixe com batatas. É mais fácil variar. Funciona para toda a gente? Não. Claro que não, e não faz mal!
Os mapas obrigam-te a escrever e ao escreveres as coisas tornam-se mais efectivas. Isto é particularmente importante quando defines objetivos. Escrevê-los torna-os concretos e reais para ti e ficam ali frente a frente contigo. Se calhar não vais usar o orçamento mensal sempre, mas imagina que queres juntar uns troquinhos para ti, fazeres este exercício por escrito produz mais resultados do que se disseres só para ti que este mês não podes gastar tanto dinheiro. Há muita psicologia por trás disto!
E pode até haver mapas que não fazem sentido para algumas pessoas ou para determinados momentos da vida. Eu nem sempre faço inventários mas não prescindo do inventário do congelador quando tenho que deixar 40 refeições congeladas prontas a serem usadas! Até porque acaba sempre por haver outros imprevistos e sobram refeições que podem ser usadas no mês seguinte. Quando tenho refeições prontas no congelador só tenho de consultar a ementa e tirar a refeição correspondente do congelador! Não tenho que pensar no que é que vou fazer para o jantar!
Podia estar aqui para sempre a falar de cada um dos meus mapas! Mas eu preparei um documento que faz parte do S.O.S. Organizar onde explico como eu uso cada mapa, que problema me resolve e que beneficio traz. E se quiseres saber mais podemos sempre trocar umas ideias sobre o assunto!

ementa

– Muitas de nós já utilizamos agendas e listas no nosso dia-a-dia. Mas este produto, mais que um conjunto de folhas é uma ferramenta completa de organização, queres explicar-nos como?

Começa por ser abrangente. Não olha para a mulher só como mãe, como profissional, ou como dona de casa. Está desenhado para articular tudo isso porque a verdade é que somos multifacetadas, sem duplicações nem passos desnecessários.
E não pretende tornar cada uma de nós em super-mulheres, mestras na eficiência e eficácia dos processos de gestão doméstica nem tão pouco em perfeitas fadas do lar. O propósito desta ferramenta é ganhar tempo. Despachar tudo o que tem de ser feito, porque temos as nossas responsabilidades, mas fazê-lo de uma forma rápida, eficiente e o menos dolorosa possível para podermos ganhar algum tempo para o que gostamos de fazer.
E volto a dizer, é flexível. Ajusta-se facilmente às necessidades individuais de cada um. Os mapas não são fechados: são válidos para todos os anos vindouros, estão pensados para quem não tem crianças, para quem tem 1 ou 2 ou 3 ou… quantos quiseres. Há espaço para todos. Funciona sempre.
E estão em Português!

– Nos dias de hoje e para a maioria das mulheres a vida é composta de um grande misto de situações…na agenda misturamos a lista das compras com o relatório do trabalho a prescrição do antibiótico e a receita de bacalhau para o jantar. Estes organizadores conseguem acompanhar todas estas facetas?


Garantidamente todas! O S.O.S Organizar está estruturado em 4 partes: os planeadores gerais como os calendários e os mapas anuais; os pessoais que se prendem com a gestão pessoal do tempo, com as nossas tarefas pendentes, com os nossos objetivos; os familiares que estão mais vocacionados para quem tem crianças e tem de gerir horários, distribuir tarefas, incentivar comportamentos e afins, e os que se aplicam à gestão doméstica como as listas de compras, a organização das limpezas ou os inventários. Estamos em todas, não estamos?

Mas de qualquer forma, se faltar alguma vertente o meu email é: mariana[at]meiasmarias[.]com e estou disponível para acrescentar o que te falta!

– Depois de tudo isto, só me resta perguntar-te se me podes organizar o tricot também?

Posso ajudar! Podes contar com um organizador de projeto, onde registas o nome, o esquema que estás a seguir, as lãs que estás a usar e as agulhas. Tem espaço para notas e para registares as alterações que vais fazendo. E ainda… Espaço para a amostra e espaço para guardares amostras das lãs que estás a usar.
E como eu sei que não sou a única a ter uma ou duas dezenas de projetos por acabar, o S.O.S. Organizar tem uns cartões de acompanhamento onde identificas o projeto, as lãs e as agulhas que estás a usar e onde registas a parte do esquema onde paraste.
E porque o natal está à espreita ainda inclui uma lista de projetos a fazer para oferecer!

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Obrigada pela visita Mariana! Deixa-me dizer-te que gosto muito como todos os organizadores são coloridos (a prometer animar até os dias mais cinzentos) e de estar tudo em português (que já estava farta de ter uma ementa com “dinner” e “sunday” na minha cozinha). E os bónus pensados para os nosso projectos de tricot e crochet são fantásticos!

Para mim a cereja no topo do bolo é o cartão para projecto em curso: para deixar naqueles projectos que se vão acumulando no armário e que juro que “vou acabar um dia”. E nesse cartão posso anotar todas as informações importantes para quando retomar o trabalho e já nem me lembrar que agulhas estava a utilizar! (Isto não me acontece só a mim, pois não?)

Se quiserem saber mais sobre este conjunto de organização podem visitar o site Meias Marias ou ir directamente à loja e comprar o vosso. Eu vou continuar a organizar…

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Achar o fio à meada

Este é o titulo de uma reportagem da jornalista Ana Pago para a Noticias Magazine. Tive o prazer de participar e estou por lá muito bem acompanhada. É giro ver como o tricot está a evoluir em Portugal, a ganhar mais voz, mais mãos e até a conquistar o homens!

O artigo completo está disponível aqui, e vale mesmo a pena ler. Mas, além do que aparece no artigo eu falei um pouco mais com a Ana. Acho que publicar aqui a entrevista na integra é uma excelente forma de nos conhecermos um pouco melhor, por isso aqui vai:

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– Nome? Idade? Formação/profissão?

Chamo-me Filipa Carneiro, tenho 33 anos e na web sou mais conhecida como “Nionoi” (o nome do meu blog). Sou engenheira civil de formação, mas artesã de nascença e de coração.

– O tricot é atualmente uma ocupação a tempo inteiro? Que espaço ocupa na sua vida e como o concilia com o resto? Como é que tudo começou para si?

Não consigo precisar quando tudo começou…sempre esteve presente na minha vida. Ainda muito pequena já gostava de apanhar os retalhos de costura da minha mãe e fazer roupas para as bonecas. E era sempre um prazer sentar-me ao lado da minha avó a fazer crochet. Estas atividades sempre ocuparam um espaço importante na minha vida, em paralelo com os estudos e, mais tarde, com a agitada vida de direção de obras. Com o nascimento da minha primeira filha, em paralelo com os problemas de desemprego dos últimos anos, a engenharia foi ficando para trás e as agulhas foram ganhando terreno. Naturalmente fui aprendendo cada vez mais, aprofundando conhecimentos e experimentando novas técnicas. Por incentivo de uma amiga dei o primeiro workshop e descobri que ensinar pode ser um enorme prazer. Quase sem dar conta, comecei a dar aulas de tricot praticamente a tempo inteiro sendo esta a minha principal ocupação, hoje em dia.

– Como se explica que o tricot seja hoje uma tendência tão marcante quando, ainda não há muitos anos, não se via com bons olhos que uma mulher cosmopolita tricotasse? O que mudou entretanto?

Não acredito que tenha sido uma mudança em específico, foram várias. Por um lado, a crise levou muitas mulheres a ficarem em casa e procurarem novas ocupações, por outro lado, a tendência crescente de recuperar tradições e a valorização do trabalho artesanal, marcam o regresso do tricot às nossas vidas. Além disso, não posso ignorar a forte influência internacional, com novos designers de tricot cheios de trabalhos modernos e divertidos que nada têm a ver com os tradicionais tricots da avó. E, este último fator é, a meu ver, determinante na atração das gerações mais jovens. Hoje uma jovem disfruta a tricotar a sua própria camisola, é quase visto como uma afirmação – uma peça de vestuário única, exclusiva, de qualidade e mais “green”.

 – Em que é que se inspira para criar? Que peças costuma fazer?

As inspirações são várias, mas sobretudo o atrativo por tentar novas técnicas, novas construções. Em cada projeto procuro sempre tentar uma coisa nova, mesmo que seja só um pormenor de acabamento, ou uma nova forma de remate. Tricoto sobretudo para a minha filha e para oferecer. Este ano tentei contrariar essa tendência, prometendo tricotar mais para mim….não consegui! Acabei de ser mãe novamente e as agulhas estão cheias de roupa para o pequeno!

– Qual a que mais gozo lhe deu a tricotar até à data? Alguma história especial associada a essa em particular?

Os primeiros vestidos que tricotei para a minha filha foram muito especiais, têm um valor sentimental muito grande porque foram tricotados “em cima da barriga”. Aliás, ela nasceu no dia seguinte a eu terminar a manta que faltava no seu enxoval. Uma coincidência talvez, mas que deixa as peças cheias de boas memórias e lhes conferem uma “alma” muito especial.

– Quanto tempo leva, em média, a conceber e confecionar cada uma? Quais as maiores dificuldades, de um modo geral?

Às vezes o que leva mais tempo é a escolha do modelo! Regra geral, se optarmos por um modelo existente, seguimos o esquema (as instruções) e o processo é bastante rápido. Mas se optarmos por desenhar o nosso próprio modelo o processo pode arrastar-se por muitos dias. Temos de experimentar, tricotar, desfazer, voltar a tricotar e fazer contas, muitas contas! A maior dificuldade das iniciantes do tricot é mesmo esta resistência a tricotar as instruções à risca. Querem logo desenhar a adaptar as peças ao sabor da sua imaginação e isso pode ser muito trabalhoso e levar até a alguma frustração, quando o resultado final não corresponde ao que haviam imaginado. As tricotadeiras mais experientes são, normalmente, mais sensatas e seguem os esquemas quase na íntegra.

– Que técnicas existem ao certo e quais as mais correntemente utilizadas?

No tricot existem quase tantas técnicas quanto tricotadeiras! Porque todas nós temos uma forma diferente de trabalhar, seja na forma como seguramos a lã ou como formamos as malhas. Mas de uma forma geral existem 3 técnicas: a portuguesa (com a lã a passar á volta do pescoço), a inglesa (com o fio de lã segurado na mão direita) e a continental (com o fio de lã segurado na mão esquerda). Aqui em Portugal a mais comum é, claro, a técnica portuguesa com o fio á volta do pescoço. Mas encontro também muita gente que tricota à inglesa e as tricotadeiras mais jovens preferem a técnica continental por ser a utilizada nos estados unidos e, por isso, com mais conteúdos disponíveis na internet.

– E em relação aos materiais: temos uma boa oferta no país? Onde costuma comprar os seus?

Temos uma excelente oferta no país e que tem vindo a crescer, tanto em quantidade como em qualidade. Além das retrosarias tradicionais começamos a ter lojas totalmente dedicadas ao tricot onde, além de fios e agulhas de grande qualidade podemos disfrutar de um atendimento personalizado e aulas específicas.

Em Lisboa tenho de recomendar a “Tricot das 5” porque além dos materiais de excelente qualidade e das aulas de tricot (comigo!), podemos aproveitar o salão de chá e ficar para um convívio a trocar ideias com outras tricotadeiras. No Bairro de Alvalade, gosto de visitar a “Artimoda” que é das poucas lojas que ainda vende fios ao peso e muitos adequados para tricotar à máquina, tudo isso acompanhado pela incrível simpatia da dona Paula que nos recebe sempre com um sorriso.

No Porto recomendo a “Ovelha Negra” recheada de fios apetitosos e uma agenda cheia de excelentes workshops adequados a todos os níveis. E a “Lopo Xavier”, na Praça Carlos Alberto, que continua a comercializar a sua marca própria de fios, em 100% lã virgem e de qualidade excecional.

– O que é preciso para alguém começar a tricotar? É uma arte fácil de aprender? E uma ocupação cara ou, pelo contrário, acessível a todos quantos queiram aventurar-se neste universo?

Começar a tricotar é muito simples! A técnica base é bastante simples e o que defendo é que deve ser o tricot a adaptar-se á tricotadeira e não o contrário. Ou seja, se não está a conseguir com o fio no pescoço, tente com o fio na mão; se não gosta de entrelaçar a lã nos dedos, tente então enrolá-la no polegar. Não tenha medo de ajustar a técnica a si, à forma que lhe parece mais natural segurar nas agulhas ou no fio. O resto é prática: quanto mais tricotar, mais bonito vai ficar o ponto. E, não desmoralize porque o aspecto algo irregular de uma peça tricotada à mão faz parte do seu caracter especial!

Quanto à economia, para começar é muito barato: umas agulhas + um novelo de lã custam menos de 10€ e já garantem umas horas de diversão! Depois pode ser tão caro quanto o seu bolso permitir. Pode optar por fios mais económicos ou deixar-se levar pelos luxos de uma meada fiada e pintada à mão… Só não vale poupar nas agulhas, elas vão acompanhá-la muitos e bons anos e vale a pena investir em produtos de qualidade.

Outras entrevistadas também partilharam as suas entrevistas completas, podes ver aqui a da Rosa Pomar e aqui a da Vera João Espinha.

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Tricotar a espera…

À quanto tempo não escrevia aqui…mas as agulhas não têm andado paradas. Nada disso! Sobretudo estes dias em estou em casa numa doce espera que pede tricot, muito tricot…e o que tenho tricotado?

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Tenho tricotado algumas das minha peças favoritas para bébés: casaquinhos, botinhas e jardineiras. Prefiro tricotar jardineiras do que fatos completos – faço botinhas à parte e as alças grandes para poder mudar os botões à medida que o pequeno cresce – assim duram bem mais! Os casaquinhos gosto de combinar com botinhas de lã, afinal, ninguém gosta de pés frios, certo?

E tenho outras tantas coisas para tricotar entretanto…depois de uma menina e de me ter consolado de fazer vestidinhos, dou por mim a procurar casacos bem “masculinos”, de preferência com torcidos e gola subida. Numa família dominada por meninas, tenho de aproveitar o rapazola!

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Gramps Cardigan by kate Oates

Agora para vocês que também vão tricotando para os mais pequenos, deixo-vos aqui um conjunto dos meus modelos preferidos para bébés. Estão todos no Ravelry e alguns são gratuitos….espreitem lá:

http://www.ravelry.com/patterns/library/b21-8-junior

http://www.ravelry.com/patterns/library/heirloom-hats-for-newborns

http://www.ravelry.com/patterns/library/felixs-cardigan

http://www.ravelry.com/patterns/library/willie

http://www.ravelry.com/patterns/library/seamless-braided-cable-sweater

http://www.ravelry.com/patterns/library/puerperium-cardigan

http://www.ravelry.com/patterns/library/sunnyside

http://www.ravelry.com/patterns/library/baby-jumpsuit

http://www.ravelry.com/patterns/library/b21-15-mcdreamy-jumper

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Férias

E é isso mesmo…estou de partida para as desejadas férias!

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Como estamos na época delas, aproveito para vos desejar umas deliciosas férias, também!

Mas não vão de “mãos a abanar”, por favor. Eu levo comigo um KAL bem docinho e totalmente made in Portugal. 

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É um xaile semi-circular, rendado e escrito por uma designer portuguesa, escrito em português e pensado para os lindos fios pintados pela Alfinete! Isso mesmo, leram bem – um esquema totalmente em português! E, sim, já lhe estou a fazer o test-drive e não podia estar mais satisfeita. Instruções bem escritas, claras, sem ambiguidades e os pontos muito bem explicados – Parabéns Inês!

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E que dizer da lã pintada à mão pela Paula? …só que não podia estar mais satisfeita! Escolhi a meada mais gira de todas, com as “minhas” cores e estou a adorar o efeito no rendado do xaile. Agora atrevam-se, conheçam o trabalho lindo destas 2 talentosas almas lusas e divirtam-se a tricotar nas férias!